Aeroporto, malas, expectativas. O coração acelera como se quisesse dar um passo, correr, encurtar a distância, voar e chegar. O avião gira na pista. Uma reta de luzes surge lentamente na frente. O destino acerta a mira e decola. A neblina das nuvens é suave, escorrendo pelas asas. Partimos. Do alto contemplamos as veias geométricas das ruas. A cidade dorme de luzes acesas. É estranho, penso, mas amamos mais aquilo que deixamos. Rabisco palavras que se perdem nas nuvens. Somos muito mais leves do que pensamos. O céu é infinito. Somos muito menores do que imaginamos. A noite é longa. Acabo dormindo mesmo sem querer tirar os olhos da noite azul. Acordo e a respiração do avião não pára. Um sopro angustiado dentro dos ouvidos. Amanhece. Do alto as nuvens parecem terra, tapete branco além do horizonte. Vontade de correr desesperadamente sobre essa massa branca. O Voo é um deslizar lento sobre um céu imenso de brancas nuvens. Deixamos de ser navegadores, d...
Escritor e Criador de Jogos de Tabuleiro