Júlio César chorou antes dos pênaltis. Foi lá e defendeu duas bolas e ainda contou com a sorte na última batida na trave. Nós, torcedores, choramos angustiados e desesperados gritando seu nome no final, esquecendo tudo que aconteceu quatro anos atrás. Goleiros são assim, algo fora do comum. Estão além do tempo e do espaço de uma partida de futebol. Eles tem uma percepção a mais do jogo e da bola, algo extra sensorial que corre pelo seu sangue. Salvadores ou traidores, não existe meio termo para eles. A angústia ocupa todo o teto dos estádios sobre suas cabeças. Poucos personagens de um jogo sustentam tanta responsabilidade sobre seus ombros. Separados do seu time na sua área reservada eles tem muito mais probabilidade de enlouquecer e sentir medo. E sabem que por mais que defendam, podem falhar a qualquer momento. Por isso mais do que outros jogadores eles cultivam suas manias. Abraçam as traves, beijam seus amuletos, ajoelham, falam sozinhos, olham para um pont...
Escritor e Criador de Jogos de Tabuleiro